Itamar Vieira Júnior e Stênio Gardel são semifinalistas do Prêmio Literário de Dublin

Itamar Vieira Júnior e Stênio Gardel são semifinalistas do Prêmio Literário de Dublin

Considerado um dos prêmios mais bem pagos do mundo, o concurso contempla romances escritos ou traduzidos para a língua inglesa publicados no ano anterior na Irlanda. O valor do prêmio é de 100 mil euros. Caso o livro seja traduzido, o escritor contemplado receberá 75 mil euros e o tradutor 25 mil euros.

Vieira Junior, está na disputa com Torto Arado, romance de estreia, lançado em 2019 pela editora Todavia. O livro conta a história de Bibiana e Belonísia, duas irmãs que vivem com a família em Água Branca, povoado fictício da região da Chapada Diamantina na Bahia. Questões identitárias afrodescendentes e de gênero, além da situação de opressão social são elementos que conduzem a narrativa e nos motiva à reflexão.  

Sucesso de crítica e de vendas, Torto Arado vendeu mais de 700 mil cópias, foi vencedor do prêmio Leya em 2018, em Portugal — condecoração que motivou a publicação do livro aqui no Brasil em 2019. Em 2020, o romancevenceu os prêmios Jabuti e Oceanos.

Stênio Gardel participa com o romance   A palavra que resta, obra de estreia, lançado pela Companhia das Letras em 2021. O romance é narrado por Raimundo, um senhor analfabeto de 70 anos que aprende a ler para descobrir o que estava escrito em uma carta deixada por um rapaz que ele amava às escondidas, cujo amor foi interrompido abruptamente cinquenta anos antes. A trajetória de Raimundo desde a juventude até a velhice é uma comovente história de amor em que questões identitárias, preconceito, conflitos familiares, sexualidade e opressão são discutidos em uma envolvente narrativa.

Além dos nordestinos Vieira Junior e Gardel, outro escritor lusófono é semifinalista: o moçambicano Mia Couto, laureado em 2003 com o Prêmio Camões e em 2014 com o Neustadt Prize. Ele concorre com o romance O bebedor de horizontes, lançado no Brasil pela Companhia das Letras em 2018. Terceiro livro da trilogia As Areias do Imperador, é uma trilogia inspirada em fatos históricos de Moçambique que deixaram marcas indeléveis no país: a guerra colonial empreendida por Portugal ao império de Gaza, onde hoje é a região sul de Moçambique.

O bebedor de horizontes é a narrativa da captura do imperador Gugunhana, o último líder do reino de Gaza. Ancestralidade, luta, resistência, questões identitárias, opressão, poder simbólico e decolonização permeiam esta bela prosa.

No dia 26 março, a Câmara de Dublin anunciará os finalistas. Já no dia 23 de maio, o vencedor será anunciado no festival literário da cidade.

Por Vald Ribeiro

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