Domingo, 22 de Março de 2026

Para quem tem sede de pertencimento

Às vezes, o maior abismo não é medido em quilômetros, mas em quatro letras.

por Palavras!
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Juro que tentei buscar amigos. Certa vez, enviei  mensagem para um, em especial, motivado  por acontecimentos e perrengues que vivemos no passado. Minha esperança era de poder tocar novamente a sua voz, diminuir distância, encontrar abrigo.

Meu amigo me respondeu com duas palavras: “Ah, tá…”

Mas o que uma interjeição teria a dizer?

Minha cabeça esperava um pouco mais. Imaginei que fosse me responder:

 “Rapaz, tu foi longe, hein! Puxa vida, quanta saudade! E você, por onde anda? Lembro sim desse dia, a gente deu boas risadas. Lembro de seu olhar assustado, da sua timidez, de como surgiu a nossa  amizade… E como está a família? Já te tornaste avô? Você era tão engraçado que eu lhe queria sempre por perto.  Que tal a gente se encontrar na próxima semana?”

Contudo, apenas uma interjeição. Duas palavras, quatro letras e o abismo da indiferença.

Pensei que meu amigo pudesse salvar a metade de um homem, tirar-me do deserto e ser um pouco de luz no breu. O conhecimento de gramática me desiludiu.

Essa interjeição, assim seguida de reticências. Pelo menos, não me deixou sem resposta. Cabe a mim a interpretação com os sentimentos que me cabem. Acho que não cheguei a ser seu amigo e está tudo bem.

Que pena ter que deixar assim como está, com a distância entre nós e a minha insignificante insistência. Em algum lugar deve haver  quem nos escolha para perto e que se alegra com a nossa presença. Como disse Drummond “Se não me veem, eu vejo e saúdo velhos amigos!”

Josué Brito Santana

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