Juro que tentei buscar amigos. Certa vez, enviei mensagem para um, em especial, motivado por acontecimentos e perrengues que vivemos no passado. Minha esperança era de poder tocar novamente a sua voz, diminuir distância, encontrar abrigo.
Meu amigo me respondeu com duas palavras: “Ah, tá…”
Mas o que uma interjeição teria a dizer?
Minha cabeça esperava um pouco mais. Imaginei que fosse me responder:
“Rapaz, tu foi longe, hein! Puxa vida, quanta saudade! E você, por onde anda? Lembro sim desse dia, a gente deu boas risadas. Lembro de seu olhar assustado, da sua timidez, de como surgiu a nossa amizade… E como está a família? Já te tornaste avô? Você era tão engraçado que eu lhe queria sempre por perto. Que tal a gente se encontrar na próxima semana?”
Contudo, apenas uma interjeição. Duas palavras, quatro letras e o abismo da indiferença.
Pensei que meu amigo pudesse salvar a metade de um homem, tirar-me do deserto e ser um pouco de luz no breu. O conhecimento de gramática me desiludiu.
“Em algum lugar deve haver quem nos escolha para perto e que se alegra com a nossa presença.” — Josué Brito Santana
Essa interjeição, assim seguida de reticências. Pelo menos, não me deixou sem resposta. Cabe a mim a interpretação com os sentimentos que me cabem. Acho que não cheguei a ser seu amigo e está tudo bem.
Que pena ter que deixar assim como está, com a distância entre nós e a minha insignificante insistência. Em algum lugar deve haver quem nos escolha para perto e que se alegra com a nossa presença. Como disse Drummond “Se não me veem, eu vejo e saúdo velhos amigos!”
Josué Brito Santana