Dirlêi A Bonfim
Eu sou a bomba
A “destruidora de mundos”
Mas, na verdade muito
Pior do que eu, és o homem
Com os seus sentimentos funestos
Com seus ódios fulminantes
E o desejo impune pelo poder
O poder, poder e poder
Uma ganância assombrosa
O poder pelo poder
E eu que cheguei a imaginar
Que depois de Hiroshima e Nagasaki
Que os homens fossem
Me descartar ou abdicar da produção
Para sempre, no entanto,
A vontade de poder,
O ódio as raças, as etnias, o diferente
O contraditório, as civilizações outras
Continua mais presente do que nunca
E com ele, o estoque de artefatos nucleares
Que só aumenta e aumenta
Lembro-me que o Oppenheimer
No seu labor científico
Se empenhou muito
Na minha concepção e desenvolvimento
Diferente do Einstein
Que já sabia onde tudo isso ia dá
Depois do teste final
Da Trinity, em julho de 1945
O Oppenheimer, vai repetir
A sua frase determinante
Da escritura hindu,
O Bhagavad Gita,Vishnu
“Agora eu me tornei a Morte
a destruidora de mundos”,
E vejam, eu sou muito potente
Mas, eu tenho uma prima
Ainda mais potente e mortal do que eu
A bomba-h, Hidrogênio (fusão nuclear)
Enquanto eu sou medida em quilotons
Ela é medida em megatons
Cerca de 4.000 (quatro mil) vezes
Mais potente do que eu
Assim, o homem na sua
Cobiça permanente pelo poder
Ainda nos armazena e faz estoques
O que tem de artefatos nucleares hoje
Armazenado no planeta, daria para destruir
A Terra 55 (cinquenta e cinco) vezes
Ao mesmo tempo, com a montanha
De recursos investidos em armamentos
Com apenas 10% (dez) por cento
Do valor, daria para sanear toda
A civilização humana
Com alimentação, educação, saúde e bem-estar
Daria para gerar um benefício social e humano
Sem precedentes na história da humanidade
Mas essa, é apenas a visão de um artefato
Na verdade, o homem não quer isso
Tristemente a visão do homem, é uma bomba.