Quando li Pau de Espinho na Banda da Janela Azul, fiquei meio lesado, sem saber o que pensar, sem saber o que dizer. Era tanta beleza estética misturada com sofrimento que minha vontade era de sair por aí, abraçando mães enlutadas. Uma escrita arrebatadora, dando conta de um evento triste da nossa história. Uma pena leve para retratar o peso da vingança, o banho de sangue, A tragédia do Tamanduá. Lamentei não ter lido antes, lamentei a ausência desse livro em feiras literárias. Lamentei a falta de reconhecimento e de homenagem ao seu autor. Como pode feiras literárias no sertão se esquecerem desse feito de Jean? Como pode não reivindicar a força desse poeta em nossas reuniões? Como pode não se declamar poemas como esse?
“Dente por dente
Um cemitério fechado
Uma igreja fechada
Um joelho sobre o chão…
Uma mãe se não louca
Um amor de sertão
Pau de Espinho
uma vaca morta
Uma divisa no chão
E mãe Lourença gritava
E mãe Lourença dizia:
‘Vocês mataram meus filhos
Se quiserem, enterre-os
Se não quiserem, coma-os!’”
O poeta me disse certa vez: “Essa é minha obra-prima!” E eu digo:
Suíça Baiana, não seja um caso perdido. Você mata seus poetas e faz questão de torná-los ilustres esquecidos.
Muito obrigado, Jean.
Josué Brito Santana – 16/04/26