As lágrimas principiaram a cair aos borbotões.
Trovões!
Raios!
Ventos violentos!
─ Um dilúvio!
As lágrimas invadiram todas as ruas da felicidade
Encharcaram as encostas que desabaram soterrando o desejo, matando o sonho.
As lágrimas derrubaram as pontes do Rio Vida! As pontes!
A ponte entre a razão e a paixão ficou interditada, a ponte entre a criatividade e a linguagem foi arrancada pela força impetuosa das lágrimas: as palavras ilhadas, as filosofias famintas, a paixão doente e sem socorro, os ânimos sem alimentos e água potável.
Sem piedade, as lágrimas invadiram a residência do Amor, as lágrimas subindo, a casa submergindo, o Amor tentando sobreviver no telhado. A casa caindo, o Amor tentando imergir, o amor se afogando,
agonizando,
Tentando se salvar!
O amor não sabe nadar…
A corrente é forte é impetuosa
e não há ninguém para salvá-lo!
Vald Ribeiro
28 de dezembro de 2021