Sexta-feira, 6 de Março de 2026

Lições do Bambuzal

por Palavras!
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Para aprender é preciso olhos atentos
Ouvidos abertos assim como a mente
A natureza traz a sabedoria há tempos
Basta olhar e escutar o que ela sente.

Observei com atenção um lindo bambuzal
Na passagem para o aeroporto de Salvador
E pude sentir sua sabedoria magistral
Silenciosamente falou-me com amor:

O bambu nos ensina sobre ter humildade
Diante dos problemas e das dificuldades,
Permanece firme e forte sem abandonar a lida
Assim, nos ensina a vencer as intempéries da vida.

O egocentrismo tem destruído muita gente através do tempo
Aqueles que se julgam superiores demais para ouvir conselhos
O bambu cria raízes profundas, sem espelhos
Tão grande por dentro não é derrubado por nenhum vento.

Você precisa aprofundar todos os dias as suas raízes
O conhecimento sobre si e o seu povo te fortalece
Mesmo distante ao beber de fontes em outros países
Nunca será abalado, pois sua raiz forte é inconteste.

Um pé de bambu nunca está solitário
Crescem unidos e parecem uma única árvore guia
Vivem num sistema saudável e solidário
Todos cooperam para que o outro cresça em harmonia.

O bambu nos ensina a não criar galhos.
Coisas superficiais que nos tomam energia permanente
Crescendo sempre com foco, sem atalhos
Evitando tudo o que nos impede de subirmos suavemente.

O bambu é cheio de “nós” e não de “eus”
Sabe que se crescesse sem eles não teria base de sustentação
As dificuldades que enfrentamos são provações de Deus
Para nos elevarmos por mérito e superação.

O bambu é oco, vazio de futilidade cega.
Esvazia-se de tudo aquilo que não preenche ou agrega,
Ser oco significa estar pronto para receber
Tudo o que for útil para nos fazer crescer.

Por fim, a última lição que o bambu nos dá:
Ele busca apenas as coisas que o eleva
Assim, só cresce para o alto, sem pestanejar
Esta deveria ser também a nossa meta.

Poema de Paulo Esdras* inspirado numa história Feng Shui.

* Paulo Esdras é autor do romance Sadres, o sábio, o louco e o poeta, da antologia poética De versos sentidos. É membro da ALAB – Academia de Letras e Artes de Brumado. Professor de literatura, o autor é também ativista ambiental e dos direitos dos animais de rua, dirige a Companhia de teatro ABRACADABRA

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