No mês dos pais, aproveito para refletir sobre a importância da ida ou do retorno à escola. Retornar onde se estudou é, sem dúvida, uma experiência marcante. Quando entro neste ambiente consigo ver o menino frágil, alegre e sonhador que me habita e recordo os maus e bons momentos. Então me vem a pergunta: Por onde andam os meus colegas e meus professores? Se eu pudesse encontrá-los para dar um abraço e dizer que a gente deu certo. Entendo perfeitamente as lágrimas de um pai ou de uma mãe que atravessam os muros para visitarem a escola. Entendo o compromisso daqueles que deixam a sua correria e vêm ver como andam os filhos nos estudos. Entendo a aflição dos pais quando são “intimados” a vir à escola.
Nesse salto temporal, a gente percebe que a vida seguiu, que tudo foi tão rápido… Entendo a dor dos pais que não tiveram forças suficientes para concluir os seus estudos.
Contemplei a satisfação de um pai ao trazer uma comida especial para o seu filho e fiquei pensando como seria bom se fosse o meu pai, mas me dei conta de que no meu tempo de estudante o meu pai não podia comparecer, até porque partiu antes do tempo. Lembrei-me de como havia alguma delicadeza e inspiração de alguns bons professores, dos quais sou eternamente grato, pois me ensinaram a sonhar. Sou o sonho do meus pais e de meus professores.
O tempo presente, portanto, no meu modo de ver, é essa ponte dos sonhos e de construção das melhores memórias. O tempo presente é o tempo da esperança, do respeito e da comunhão. Sei que não é assim, mas estou fazendo a minha parte, pois quando não se sonha o sonho do outro, nem o próprio sonho, a gente apenas passa. A educação é essa finura, essa beleza que nos permite enxergar o outro como caminho. Quando um pai vai à escola ou leva o seu filho é como se estivesse dizendo: “Filho(a), Te amo e você pode contar comigo!”
Em breve, queridos, iremos para outros lugares e todos seremos lembranças. Hoje, somente hoje, é a oportunidade de se fazer presente, de impactar, de emendar futuro e de deixar rastros. A nossa vida é sublime demais para não ser nada. O conhecimento tem a missão de nos tornar melhores. Cada um de nós, filhos e pais, representa a grande oportunidade do querer bem, da apreciação e o realizar é resultado da busca permanente.
O que se espera é que a escola seja um lugar não somente de passagem do tempo, mas de experiências de crescimento, onde o conhecimento seja a bola da vez, regado pelo diálogo, amizade, respeito, solidariedade e esperança. Sei que há tempo para isto.
Josué Brito Santana
Psicólogo – Ago/24