Haja coração!

Ilustração criada com Microsoft Copilot

O atacante que perdeu o pênalti, chutou no lugar errado, chutou fraco, uma “bufa de véa” como se dizia no meu tempo. E o que isso tem a ver conosco?  Tudo. Imagine se ele faz o gol? Com o placar favorável, o adversário sentiria o baque e a possibilidade de um segundo gol seria iminente. Mas não, o cara errou e agora temos um culpado, um bode expiatório.

Do outro lado, um time de gigantes, jamais vencido por nossa seleção. Será que ele perdeu o pênalti ou foi o goleiro que defendeu? Pênalti perdido para mim é quando bate na trave ou não acerta o alvo, pois quando o goleiro defende o mérito é dele. Filosofia futebolesca que em nada diminui a nossa dor de ter que apostar as nossas fichas num monte de marmanjo, subindo e descendo, com o intuito de deixar bola na rede. Se pensarmos na seleção de Cabo Verde teremos que elaborar outro discurso sobre o futebol e vermos que, independentemente das tramoias dentro e fora de campo, existe sim muita coisa boa no futebol. Que a seleção se lembre das coisas boas também.

Sou um apaixonado por futebol por conta do meu pai, que se estivesse vivo, certamente que estaria mal também.

Um país vai muito mal quando a sua única esperança vem de jogo.

É bom torcer e extravasar, o show é bonito e no jogo a gente perde e ganha. Só quem não perde é a FIFA que controla a partida e os bilhões de dólares.  Quem não perde é a Bet, tentando viciar ainda mais os iludidos. Quem não perde é o ditador Trump, que anulou até cartão vermelho. São tantos os ganhadores: Galvão, que ainda vende emoções mesmo não conseguindo emocionar, a Coca-Cola, que deixou de ser veneno, a CazéTV, explorando novas mídias, mesmo atrasada, os jogadores que conseguiram driblar a pobreza, menos o racismo, as pessoas que conseguiram viajar para gastar dinheiro fora, os políticos que abandonaram os seus cargos para torrar dinheiro público no exterior…

Estou acostumado a perder, sou torcedor do Vasco, que, aliás, vai mal das pernas. Voltemos à realidade, pois se há uma coisa que acontece na perda, quando se sobrevive, é a certeza de que podemos continuar acreditando, nem que seja para tudo se repetir daqui a quatro anos. Uma coisa é certa: é preciso ter garra pra vencer, e, às vezes, bons patrocinadores.

Josué Brito Santana
Torcedor

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