Cada pai que escapole é uma saudade que dói.
O meu escapuliu no tempo em que eu começava juntar os cacos do mundo.
Meu pai era pedreiro e mestre de lorotas,
tinha sempre uma pronta, sem se preocupar com censura.
Herdei dele essa mania infantil.
Ele era menino.
As piadas que contava espantavam um pouco a pobreza.
Um dia, na fila de um banco, vi um velhinho falar da pressa de voltar pra roça.
Falava do mesmo lugar de onde vim.
Não resisti e me apresentei como filho de Lió e Neto de Dino.
O senhor não era meu parente, mas se lembrava de meu pai.
_ Ave Maria, me dá aqui um abraço! Seu pai era meu amigo, nois jogô bola junto.
Os olhos do velhinho brilhavam.
E lá dentro estavam os dois rapazes.
Meu pai era menino e
sabia mesmo era fazer amigos.
Josué, 08/07/26