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Celebração na ABL

Está entre os melhores é, sem dúvida, um reconhecimento pelo engenho e arte

Palavras!
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Comemoro a eleição de Milton Hatoum para a Academia Brasileira de Letras como se fosse a conquista de um amigo querido. Milton Hatoum é daqueles escritores que  conseguem colocar em palavras o Brasil que muitos preferem não ver. Dono de um repertório de leituras, ouvi-lo falar é estar diante de um doutor da palavra. Milton Hatoum é o erudito que despreza rebuscamentos em sua ficção, preferindo dar voz a personagens invisíveis, num esforço de desvelamento dos problemas sociais, sem ser panfletário.

Falar de todos os seus livros seria uma tarefa impossível, assim como esgotar as temáticas de quaisquer um deles. Falarei um pouco do livro que me rendeu uma Dissertação de Mestrado e a publicação de um livro. Refiro-me ao romance Dois Irmãos (2000), um livro que consumiu dez anos de trabalho do seu autor. Cada página desse clássico é um convite para repensarmos a ideia de família. A história é a trajetória de vida de um narrador atormentado, em busca de um discurso que possa retirá-lo da condição de invisível. Nele, as grandes questões humanas aparecem desde as primeiras páginas: Quem é o meu pai? Quem sou eu? Tão necessárias ao processo de subjetivação, no enfrentamento das situações-limite. Questões impossíveis de uma resposta sem a presença do outro, de ao menos uma referência.

Mas onde Milton Hatoum se inspirou para escrever uma obra dessas? Ora, na vida, na literatura. Creio que a maior referência para tal livro deva ter sido o romance Esaú e Jacó, de Machado de Assis, que, por sinal, foi um dos Fundadores da Academia que agora recebe Milton.

Capa do livro 'A escrita do "filho de ninguém"' de Josué Brito Santana, que analisa o narrador do romance 'Dois Irmãos' de Milton Hatoum.
Capa do livro A escrita do “filho de ninguém” (Imagem: Divulgação)

Para quem achava que o tema do inferno familiar já teria se esgotado e que seria impossível retratá-lo tão bem quanto o Bruxo, não conhece a arquitetura da escrita de Hatoum.

Está entre os melhores é, sem dúvida, um reconhecimento pelo engenho e arte. Estou mais que feliz pela escolha de uma importante referência de minha vida. Certamente que ele não lerá o meu texto, mas espero que as pessoas possam ler os seus livros, especialmente o romance Dois Irmãos e tirarem as suas conclusões.   Sugiro também a leitura do meu livro, A escrita do filho de Ninguém (Dialética -2023).

Josué Brito Santana
Abril-2026

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